1. SEES 28.11.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  OS PLANOS A E B FALHARAM
3. ENTREVISTA  ROB BELL  QUEM FALOU EM CU E INFERNO?
4. MALSON DA NBREGA  COMDIA DE ERROS NOS ROYALTIES DO PETRLEO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  H HORA CERTA PARA SER MULHER

1. VEJA.COM
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br 

DESEJO DE NATAL
Comeou a temporada de pesquisa sobre qual o melhor eletrnico para comprar  ou dar de presente  no Natal. O site de VEJA preparou uma ferramenta que compara os mais modernos e procurados produtos do mercado em cinco categorias: cmeras fotogrficas, smartphones, tablets, televises e consoles. Responda a cinco questes e descubra qual  o gadget mais indicado para o seu uso. A ferramenta vai mostrar tambm o Natal Retr  o produto que voc teria escolhido se estivesse comprando duas ou trs dcadas atrs.

HIT PODE SALVAR NOVELA
Se Salve Jorge ainda no mostrou a que veio, com uma audincia que caiu para 23 pontos no ltimo dia 17, a trilha sonora da novela j tem pblico cativo. Esse Cara Sou Eu  a msica mais comprada na loja virtual da Apple no Brasil. Reportagem do site de VEJA mostra que parte desse sucesso se deve  tentativa de marcar o morno romance do casal principal, Tho e Morena. O site traz tambm a histria da relao entre msica e novela e os hits mais grudentos de todos os tempos.

CRUELDADE INTERIOR
Grande parte de nossa compreenso sobre como pessoas normais se comportam em ditaduras vem de estudos realizados nos anos 1960 e 1970. Pesquisas clssicas lideradas pelos psiclogos americanos Stanley Milgram e Philip Zimbardo mostraram que o mais pacato dos seres humanos poderia cometer atos terrveis se assim fosse ordenado por autoridades, pois existiria uma tendncia natural em nossa espcie  obedincia e  conformidade. Um novo artigo publicado na revista PLOS Biology revisita as concluses desses estudos e explica que esses atos envolvem no s a obedincia cega, mas tambm o entusiasmo.

OS MITOS DO EMPREENDEDORISMO
Para onde quer que se olhe, h brasileiros que lutam para abrir e tocar o prprio negcio  e isso ocorre a despeito dos enormes obstculos que a burocracia e a estrutura tributria do pas interpem a essas iniciativas. Muita gente, no entanto, reluta em ter sua microempresa devido a falsas ideias sobre empreendedorismo. O site de VEJA conversou com empresrios de sucesso e especialistas para identificar os principais mitos da rea. So exemplos a crena de que  preciso ser jovem para empreender e a de que o dinheiro retira todos os obstculos no caminho de uma empresa.


2. CARTA AO LEITOR  OS PLANOS A E B FALHARAM
     Em sua edio de 18 de abril passado, VEJA revelou que os radicais do PT planejavam lanar uma cortina de fumaa sobre o iminente julgamento do maior escndalo de corrupo da histria do pas, o mensalo. A Carta ao Leitor daquela edio dizia que, com a aproximao do julgamento do mensalo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o PT lanou uma ofensiva desesperada contra a imprensa e a oposio, que o partido julga responsveis pelas propores tomadas pelo escndalo que manchou o primeiro mandato do presidente Lula. A ofensiva se materializaria pouco depois com a CPI do Cachoeira, instalada oficialmente para apurar os negcios ilegais de um contraventor de Gois. Mal a CPI foi instalada, porm, Rui Falco, presidente do PT, anunciaria que o real objetivo de seu partido na comisso era apurar esse escndalo dos autores da farsa do mensalo. Por total inconsistncia, fracassou o plano de confundir a opinio pblica com a tese delirante de que o mensalo fora uma farsa fabricada pela imprensa e pela oposio e encampada pelo Ministrio Pblico e por alguns juzes do STF. Os mensaleiros foram condenados a penas variadas de priso, e a CPI nada encontrou que pudesse dar sustentao ao projeto de confundir o escndalo do mensalo com as atividades de Carlos Cachoeira.
     O plano B dos radicais foi posto em ao, revela uma reportagem desta edio de VEJA. Ele consistiu em instrumentalizar o deputado Odair Cunha, do PT de Minas Gerais, relator da CPI do Cachoeira, pressionado a ponto de, contra suas convices, produzir um relatrio com acusaes graves e falsas a Roberto Gurgel, procurador-geral da Repblica, e a Policarpo Junior, diretor da sucursal de Braslia e um dos redatores-chefes de VEJA. Gurgel disse que a inteno foi retaliar, indo ao ponto central da motivao original dos radicais ligados aos mensaleiros. Foi Gurgel quem acolheu as acusaes contra os mensaleiros e os transformou em rus junto ao STF. Policarpo foi alvejado por ter sido um dos mais atuantes jornalistas na obteno de provas do envolvimento dos petistas com os crimes do mensalo. Foi enorme a reao na imprensa e no Congresso ao relatrio manipulado pelos radicais  afinal, a CPI  uma instncia do estado brasileiro, e no um instrumento de vingana a servio de uma ala ligada a rus de um partido poltico pego em delito.


3. ENTREVISTA  ROB BELL  QUEM FALOU EM CU E INFERNO?
O pastor que enfureceu a igreja ao questionar alguns dogmas  e arrastar multides de jovens para seus sermes  diz que o cristianismo passa atualmente por uma revoluo.
ANDRE PETRY, DE LAGUNA BEACH, CALIFRNIA

O pastor Rob Bell  o padre Marcelo dos EUA. Popular, miditico e bem-humorado, ele fundou uma das igrejas que mais crescem no pas, a Mars Hill Bible Church. Em um culto de domingo, atrai 8000 fiis. No ano passado, lanou o bestseller O Amor Vence, que saiu recentemente no Brasil pela Editora Sextante. Entrou para a lista dos mais influentes da Time e desatou a ira dos evanglicos conservadores ao questionar os conceitos de cu e inferno. H um ano, deixou a sua igreja e mudou-se com a mulher e os trs filhos para a Califrnia. Agora, faz turns que renem multides de jovens percorrendo o mesmo circuito das bandas de rock. Tem 42 anos, porte atltico (1,92 metro e 89 quilos) e surfa todas as manhs.

Por que o senhor deixou sua igreja e se mudou para a Califrnia? 
Estava na hora de fazer coisas novas. Minha mulher e eu temos a clara percepo de que, de vez em quando,  preciso mudar, assumir riscos, aprender coisas diferentes. Escolhemos a Califrnia porque boa parte dos meus projetos est baseada em Los Angeles. Acabei de escrever o piloto de um programa espiritual para a rede ABC em parceria com Carlton Cuse, produtor do seriado Lost. Nunca tive nenhum problema com a Mars Hill Bible Church. S tenho amor por eles.

No seu livro O Amor Vence, o senhor questiona a ideia de que alguns iro para o cu e outros para o inferno. Cu e inferno so fico? 
Acredito em cu e inferno como dimenses da nossa existncia aqui e agora. E acredito que cu e inferno so realidades que se estendem para a dimenso para a qual vamos ao morrer, mas a j entramos no campo da pura especulao. Acho que o problema de muitas igrejas  que elas falam com extrema autoridade sobre aquilo que todos ns, elas inclusive, desconhecemos. Vamos pelo menos ser honestos. Ningum sabe o que acontece quando morremos. No tem fotografia, no tem vdeo.

As pesquisas mostram que grande parte dos americanos acredita em cu e inferno. Como sua igreja conseguiu crescer sem a recompensa celeste nem a ameaa infernal? 
Hoje em dia, vrias pessoas, sobretudo as mais jovens, olham para sua igreja e acham que ela no se importa com o sofrimento real que temos no mundo hoje, aqui e agora. No entanto,  disso que Jesus mais falou. Esses jovens tm amigos, inclusive amigos ateus, que parecem ter mais compaixo pelos outros, pelos pobres e marginalizados, do que a prpria igreja  qual pertencem. H inmeras histrias em que Jesus se refere a Inferno usando a palavra gehenna, vocbulo grego derivado da expresso Vale de Hinom. O Vale de Hinom existia, era um lugar terrvel mas real. Em vez de cu e inferno, precisamos recuperar o fato de que, no centro da mensagem crist, temos o amor de Deus por ns. Nossa misso  responder a esse amor, estendendo-o aos outros. A mensagem : Deus  amor.

Sendo s amor, Deus no pode ser to colrico com quem nunca encontrou Jesus a ponto de conden-lo  danao eterna. Ento, ao abolir a ideia de um inferno, o senhor reconcilia a onipotncia de Deus com o sofrimento humano? 
Acredito que sim. Precisamos entender que temos verdadeiros infernos na Terra neste exato momento. H gente faminta, gente sem acesso a gua potvel. A Terra est cheia de sofrimento humano. Creio que no  por acaso que as pessoas mais interessadas em discutir o inferno depois da morte so as menos interessadas em discutir o inferno sobre a Terra. E vice-versa.

O senhor  adepto do universalismo, a doutrina segundo a qual, no fim, todos seremos salvos? 
H um nmero crescente de cristos que acreditam que, decorrido o tempo necessrio, Deus conquistar todos ns, ganhar todos os coraes. No sei se isso vai acontecer, tambm no sei o que acontece quando morremos, mas acho que essa  a melhor histria possvel. Portanto, por que no torcer por ela? Para mim,  incompreensvel um cristo que no considera a salvao universal como a melhor sada, a melhor histria. Para mim, acreditar nisso  um dever de qualquer pessoa boa, decente, com um corao no peito.

As denominaes evanglicas mais conservadoras ficaram furiosas com a propagao dessas suas ideias. Por qu? 
 fascinante e perturbador ao mesmo tempo. Se estamos levando a srio a mensagem de Jesus sobre o amor de Deus por todos ns, a salvao universal deve ser o ponto de partida. No vejo de outro modo. Minha intuio  que essa subcultura exclusivista entende que a salvao universal diminui a importncia de Jesus. Acho o contrrio.

O senhor sofreu algum tipo de hostilidade desses grupos nas suas turns pelo pas? 
Na maioria dos lugares em que falo h sempre um protesto armado na frente. Tem de tudo, mas minha palavra de ordem favorita  a que diz assim: Believe in Hell, not in Rob Bell (Acredite em Inferno, no em Rob Bell, sem o benefcio da rima). Ouvi-a no Cobrado. Adoro essa palavra de ordem.  importante no perder o bom humor.

O senhor acha que esses manifestantes representam uma corrente do cristianismo que ganha ou perde fiis? 
Mais do que nunca, acredito que est havendo uma mudana radical no cristianismo. Algo equivalente a uma nova reforma. Estive na Irlanda do Norte, na frica do Sul, na Nova Zelndia, nas Bahamas, e em todos os lugares encontrei lderes religiosos fazendo as mesmas perguntas e enfrentando os mesmos problemas. O movimento de Jesus se perdeu em algumas categorias-chave. Para muitas pessoas, a palavra salvao significa que Jesus vir nos salvar, que Jesus vai nos tirar daqui quando morrermos. Ou seja:  sempre sobre como ir para outro lugar em outro tempo. A palavra salvao precisa ser entendida num contexto holstico. A razo de tantos ocidentais fazerem ioga est no fato de que ioga quer dizer integrao. Somos seres integrados. Acho que estamos na linha de frente de algo massivo, que vai mudar tudo.

Quais so os sinais concretos dessa mudana? 
 impressionante o nmero de lderes religiosos que esto percebendo a dificuldade das pessoas em se identificar com a pregao atual. A mensagem no est chegando ao corao das pessoas. Em muitos lugares, converso com religiosos que me dizem, sempre baixinho e discretamente, que entendem o que estou dizendo, acham que estou no caminho certo, mas no podem falar isso publicamente sob pena de perderem o emprego. Uma instituio to desesperada com o contraditrio s pode estar profundamente insegura de si mesma. H algo muito errado a. Outro dia conversei com um religioso que precisa contabilizar o nmero de novos fiis, batismos, comunhes, e os resultados precisam ser superiores aos do ano anterior. Ele me dizia, corretamente na minha opinio, que a vida de uma alma, o modo como uma pessoa cresce, no  como um negcio de venda de comida mexicana. A instituio igreja inventou um modo destrutivo de ver os fiis. Tenho esse tipo de conversa a toda hora. Por isso, vejo que estamos passando por uma mudana profunda. Sem exagero, eu diria que  revolucionrio.

O senhor j teve uma experincia mstica, j viu Deus, j visitou o paraso? 
Tive vrias experincias que no consigo descrever com palavras. Cresci numa famlia crist, ouvi muito sobre Jesus. Mas tive alguns encontros profundos, meus, pessoais, com o amor de Deus que me estremeceram e tiveram sobre mim um impacto, digamos, pr-cognitivo. Por isso, nunca fiquei preocupado com sistema doutrinrio, com essa ou aquela denominao, nunca me empenhei em ter a comprovao do meu dogma. Isso no me preocupa.

Faz sentido que um ateu seja salvo por uma divindade na qual ele no acredita? 
As pessoas de f acreditam que Deus ama a todos, d vida a todos. O Deus sobre o qual Jesus falou no seria capaz de ferir algum.

Para efeito de raciocnio, isso significa que somos prisioneiros de Deus e estamos todos condenados ao paraso. No existe escolha, ningum pode dizer no ao paraso? 
Deus  amoroso, e uma das regras do amor  a liberdade. Voc  livre para amar e para no amar. Por isso, acho que voc pode dizer no ao paraso e, nesse caso, talvez voc fique em algum estado de rejeio ou resistncia. Talvez seja esse estado que muitas pessoas chamam de inferno.

Quando escreveu sobre o inferno na Divina Comdia, Dante Alighieri disse que o livre-arbtrio do homem pode, num dado momento, significar vida ou morte, salvao ou danao. Dante estava errado? 
Acho que Dante escreveu uma srie de coisas que servem de paralelo  mensagem de Jesus. Ou seja: temos um enorme poder no mundo, o poder de fazermos deste mundo um lugar de paz e amor ou de destruio e alienao. Entendo que Dante est falando desse poder.

O senhor acredita em milagres? 
Acredito em milagres, mas quando falamos em milagres eu penso no nascimento de uma criana, numa partcula subatmica, um quark, que desaparece em um ponto e reaparece noutro sem percorrer a distncia entre os dois pontos. Quando Einstein disse que Deus no joga dados, era uma forma de dizer que a fsica quntica estava descobrindo que o mundo  muito estranho. A comprovao do bson de Higgs  um assunto da fsica, mas  tambm um assunto extremamente espiritual.  incrvel que uma pessoa se cure de cncer e outra no, mas acho que devemos falar de milagre com outra abordagem.  no milagre do universo que acredito.

O senhor  a favor do aborto? 
No, sou contra.

 a favor do casamento homossexual? 
Sou. Acho que a legalizao do casamento gay  s uma questo de tempo.

O senhor aceita a teoria da evoluo de Darwin? 
A teoria de Darwin  perfeita para explicar por que no temos um rabo comprido, mas no explica por que achamos isso interessante. Ento, como mecanismo para explicar por que o mundo  como , por que nossos corpos so como so, a evoluo darwinista atende s necessidades. Mas no acho que seja uma teoria pronta e acabada. O debate ainda no terminou.

Os religiosos que rejeitam o darwinismo ficam incomodados exatamente com a ideia de que no fomos criados por Deus  Sua imagem e semelhana, mas somos resultado de um processo evolutivo de milhes de anos. Isso no incomoda o senhor? 
O erro de muitos religiosos est em entender que estamos falando coisas diferentes. No acho que o fato de sermos resultado de um processo evolutivo significa que no existe um Deus.  uma concluso absolutamente desnecessria. Se o mtodo da vida  a evoluo, foi assim que Deus nos fez.

A rigidez teolgica  perigosa? 
A rigidez, sim. A convico, no. Juntos, podemos fazer grandes coisas para nos ajudar uns aos outros, para nos inspirar uns aos outros. Isso vem da convico, que  boa e saudvel. Agora, a inabilidade para aprender e crescer faz mal.

Para muitos cristos, s os cristos vo para o cu. Pergunto: Gandhi, que no era cristo, est no inferno? 
Deus ama Gandhi mais do que qualquer um de ns pode imaginar. Gandhi parece ter sido um grande homem, profundamente comprometido com a verdade e o florescimento da humanidade. Acredito que est com o Deus que tanto o amou.

Para muitos cristos como o senhor, um Deus generoso no condenaria ningum  danao eterna. Pergunto: Hitler est no cu? 
Hitler parece ter sido algum inclinado  criao de imensos infernos para si mesmo e para os outros. Minha suposio  que Deus lhe deu o que ele queria. Acho que  o nico modo de analisar esse caso  luz da destruio que Hitler causou. Qualquer reconciliao ou perdo, nesse caso, est alm da minha compreenso.


4. MALSON DA NBREGA  COMDIA DE ERROS NOS ROYALTIES DO PETRLEO
     Como diz o ditado, no adianta chorar pelo leite derramado. Ser ruim qualquer sada para o imbrglio da distribuio dos royalties do petrleo aprovada pelo Congresso. O melhor a esta altura seria vetar o projeto e conduzir uma negociao poltica competente, capaz de reduzir as distores. No d para esperar que o STF considere a medida inconstitucional.
     O comeo da comdia de erros foi a mudana da Lei do Petrleo no governo Lula, por motivos ideolgicos. Na prtica, buscou-se restaurar o monoplio da Petrobras, agora na explorao do pr-sal. Quanto aos recursos, o governo ignorou a velha lgica do Congresso: se h dinheiro, vamos gastar; parlamentar bom  o que consegue verbas para seu estado e municpios.  difcil mudar essa cultura. A reeleio da considervel maioria depende disso.
     O oramento  pouco valorizado no Brasil. At os anos 30, ele era usado para inserir emendas destinadas a dar nome a ruas, promover servidores pblicos e coisas do gnero. Para coibir essas esquisitices, a Constituio de 1934 criou uma regra bvia: o oramento trata apenas da receita e da despesa (art. 50,  3). A regra sobrevive na atual Constituio (artigo 165.  8). A inconsequncia na aprovao de emendas levou o regime militar a proibir as que aumentassem ou alterassem a despesa (Constituio de 1967, art. 67,  1).
     Com limitaes, a Constituio de 1988 restabeleceu as prerrogativas do Congresso para emendar o oramento (art. 166,  3). Antes, a distenso poltica do regime militar fora usada para ampliar os fundos de participao dos estados e municpios, de 20% do imposto de renda e do IPI para 24%, em 1980, e 28%, em 1983. Na retomada da democracia, subiu para 33%, em 1985, e na Constituio de 1988, para 47%. Mais 10% do IPI foi transferido aos estados para compens-los por supostos incentivos s exportaes. Para evitar o pior, a Unio teve de recorrer a contribuies no partilhveis com os governos subnacionais. O sistema tributrio piorou.
     Essa tendncia foi reforada por estudos que mostravam a concentrao de receitas na Unio. Era verdade, mas no se examinaram as razes, isto , a estrutura da despesa. Na verdade, a concentrao se explica, na maior parte, pela responsabilidade historicamente atribuda  Unio por certas despesas: previdncia, defesa, regulao e vinculao de receitas a despesas com educao e sade. Com os juros da dvida e os gastos de pessoal, elas consomem mais de 90% da arrecadao. Transferir receitas sem transferir despesas fora a Unio a elevar os tributos.
     O governo Lula desprezou essa realidade. Cuidou apenas de estatizar a explorao do pr-sal e de criar reserva de mercado para a indstria nacional. No deveria ter se surpreendido quando dois parlamentares gachos mobilizaram facilmente o Congresso para aprovar a destinao aos estados e municpios de parcela dos recursos do petrleo do pr-sal, em detrimento dos estados produtores. A maior parte depende ainda da explorao de futuros poos.
     Lula vetou o projeto, mas no se preocupou em negociar uma sada honrosa para todos. Por sua vez, a presidente Dilma no percebeu que, nessa matria, desaparecem divises polticas, partidrias, ideolgicas ou regionais. Mais dinheiro para estados e municpios aglutina todas as tendncias. Tem o apoio de empresrios e formadores de opinio locais. A coalizo  imbatvel. A comdia de erros atrasar a explorao do pr-sal, criar srios problemas para os estados produtores e contribuir para a pulverizao de receitas e para seu desperdcio em gastos correntes.
     O dinheiro pblico proveniente da explorao de recursos naturais no renovveis no pertence apenas  atual gerao. Veja-se o exemplo da Noruega. L, os recursos do petrleo constituem um fundo para as geraes futuras, do qual se gastam apenas os rendimentos das aplicaes.
     O veto ao projeto seria justificado pela convenincia de negociar algo na linha norueguesa.  politicamente impossvel, todavia, no contemplar as regies no produtoras de petrleo, que j comemoraram a festa. Um bom pedao dessa riqueza vai para o buraco negro da gastana. Uma pena!
MALSON DA NOBREGA  economista


5. LEITOR
LIMITES TICOS
Nosso desafio como sociedade deve ser trocar a venda do ilegal e a compra do amoral pela doao da tica e a aquisio de valores. Esses princpios, indispensveis e prementes hoje, so a garantia de um digno e louvvel amanh. Parabns pela reportagem Nem tudo se compra (21 de novembro).
MAURO WAINSTOCK
Rio de Janeiro, RJ

O mercado j dominava a sociedade muito antes de ser soberano sobre a economia. Na Idade Mdia, papados eram comprados e o destino de reinos inteiros era decidido nas mesas de negociao... O que mudou com o passar do tempo foi o processo. No passado, virgindades eram leiloadas em bordis de luxo. Hoje isso ocorre em reality shows. Talvez a comunicao em tempo real e a internet aumentando tanto a visibilidade desses atos vis resultem em manifestaes da sociedade que levem a alguma ao prtica, a exemplo do que ocorreu no caso do mensalo.
JOSENILDO HENRIQUE DE MELO
Uberaba, MG

Brilhante o filsofo Michael Sandel ao falar sobre a sociedade de mercado. A venda de bebs poderia eliminar a burocracia e dar a mais crianas a chance de crescer em lares com melhores condies econmicas. Mas como se daria a formao moral e tica dessas crianas, ao aprender desde cedo que quem paga mais leva?
LUCIANA DE CAMPOS CHERES
Curitiba, PR

Ao sugerir a imposio de limites polticos ao livre mercado, o filsofo Michael Sandel mostra no compreender a beleza do capitalismo. Ao considerar ilegtima a ao da moa virgem, o que o filsofo prope? Que o governo roube meu dinheiro me cobrando impostos para pagar funcionrios pblicos que, atravs de ameaa armada, impeam Ingrid e seu cliente de realizar uma troca voluntria, e tudo isso em nome de padres morais? No haveria limites para os abusos de tal pensamento. A proibio do sexo antes do casamento e a obrigatoriedade de burcas no seriam surpresa na ditadura dos moralmente ofendidos. Michael Sandel no consegue entender os mecanismos do mercado e, portanto, no compreende que uma sociedade de mercado, em que a poltica  substituda pela lgica econmica, constitui a nica sada tica e funcional para a civilizao. Ele critica as empresas que transacionam com os derivativos da morte, lucrando com eles, mas se esquece de que coveiros e donos de cemitrio tambm vivem da morte. Qualifica como imoral o mercado de sangue e de rgos, mas imoral mesmo  deixar haver escassez desses produtos essenciais  vida. O filsofo acusa o capitalismo puro de pecados dos quais ele no tem culpa e deseja impor seus questionveis padres morais s outras pessoas. Isso  antitico.
PAULO KOGOS
So Paulo, SP

O dinheiro torna a vida mais pragmtica, mas engana-se aquele que, com seu vil metal, acha que adquire tudo. Pode comprar sua religio e at o conhecimento, mas no o respeito nem a razo.
ELIZABETH SILVA MIRANDA
Feira de Santana, BA

Chamou-me a ateno a reportagem de VEJA pela superficialidade com que o pensamento de intelectuais como Richard Posner e Gary Becker foi retratado. Posner jamais advogaria a venda de bebs como se fossem mercadorias, mas aventa a possibilidade de transacionar os direitos de adoo. VEJA salienta a necessidade da tica nas relaes humanas, o que, cabe dizer,  absolutamente correto. Todavia, trata-se de uma iluso considerar que os nossos direitos supostamente inalienveis no so, de uma maneira ou outra, transacionados. Quando, por exemplo, permitimos que nossa privacidade seja diminuda em troca de segurana (como  o caso de cmaras de vigilncia em locais pblicos), nada mais estamos a fazer do que trocar um valor por outro, ou, em outras palavras, um bem por outro. A vantagem terica e prtica da anlise econmica no  advogar essa troca, mas sim propiciar ferramentas que possam nos mostrar que ela efetivamente ocorre, alm de quantificar, de forma objetiva, como ela ocorre. Assim  que poderemos compreender e controlar de forma muito mais eficiente a tica e a moral nas relaes entre estado e cidado e nas relaes entre indivduos.
CRISTIANO ROSA DE CARVALHO
Presidente do Iders
Porto Alegre, RS

Tudo na vida tem um preo, mas nem tudo est  venda.
LUIZ THADEU NUNES E SILVA
So Lus, MA

Nem todo mundo vende, nem todo mundo se vende. tima reportagem!
EVALDO DASSUMPO
Anchieta, ES

Honra, dignidade, tica e carter no tm preo e no so comercializveis.
FRANCISCO ROCHA NAVES
Campo Grande, MS

Quando uma menina de 20 anos chega ao ponto de leiloar sua virgindade e se torna estrela e um dos assuntos mais comentados da mdia sem, no entanto, causar indignao na mesma proporo,  sinal de que chegamos  decadncia moral.
JAIRO CUNHA LACERDA
Guarulhos, SP

O dinheiro compra tudo? Talvez, na solido de sua recluso, os utilitaristas venham enfim a compreender que o vil metal no tem o poder de comprar a paz de esprito.
LEVI BRONZEADO DOS SANTOS
Guarabira, PB

O suborno poltico  muito mais grave sob qualquer tica, moral ou econmica. J o caso da menina Ingrid  apenas triste, milenar e universalmente conhecido como prostituio.
LUIZ CARLOS DE SOUZA
So Paulo, SP

O PT no foi o nico partido a comprar apoio no Congresso usando dinheiro pblico. Foi o primeiro a ter parte da alta direo julgada e condenada.
CELSO F.A. LEITE
Limeira, SP

A jovem catarinense que leiloou seu hmen por 1,6 milho de reais pode, depois do evento, usar menos de 1% desse valor na contratao de um timo cirurgio plstico para reconstru-lo e vend-lo a outro trouxa doente.
ANGELO CORRADI
Niteri, RJ

A quem realmente interessa a venda da virgindade de Ingrid Migliorim? Deveria interessar somente a ela, dona de seu corpo e de sua alma.
MARCIA BARICHELLO GAZAVE
Cuiab, MT

Estou cansado de pagar dvidas pelo que no contra  reparaes de erros histricos, disfunes sexuais de terceiros, indenizaes a quem queria me causar danos e restringir a minha liberdade  e pelos conflitos de quem precisa tomar conscincia.
ANTONIO CAVALCANTI DA MATTA RIBEIRO 
So Jos dos Campos, SP

JOS GUIMARES
Eu sabia que havia alguma coisa errada com esse deputado, o Capito Cueca. Sou nordestino e, ao contrrio dele, tenho honra. Talvez porque tenha sido criado com leite de cabra, em vez de leite de bode (Veja Essa, 21 de novembro).
JOS CARLOS A. FERRARI
Bebedouro, SP

J.R. GUZZO
O artigo Tudo em javans (21 de novembro , de J.R. Guzzo, nos faz lembrar de uma antiga sentena: O homem tem a tendncia de complicar o que  simples e de obscurecer o que  claro.
MAURO PEREIRA VIANNA
Piracicaba, SP

Discordo da ideia de que o linguajar utilizado no julgamento do mensalo confunde as pessoas. As palavras usadas pelos ministros existem nos dicionrios. Nosso povo  que, em sua maioria, peca por falta de cultura, leitura e conhecimento.
DANIEL DARCI ARBUGERI
Caxias do Sul, RS

Crivo probatrio, exordial acusatria, vnia, colendo e egrgio so termos comuns no mundo jurdico.
RICARDO SANTORO NOGUEIRA
Braslia, DF

Aos 86 anos, pai de sete filhos (cinco bacharis  dois magistrados, dois advogados, uma integrante do Ministrio Pblico), sou favorvel  volta do latim ao vestibular das escolas jurdicas.
WALDIR LENCIO CORDEIRO LOPES
Braslia, DF

GUSTAVO IOSCHPE
Sou professora da rede municipal de Salvador. Li o artigo Quem so os professores brasileiros? (21 de novembro) e no pude discordar de Ioschpe. So muitas as pessoas incapazes de lecionar, fingindo ser professores. A maioria dos gestores  conivente com as faltas, o despreparo e o descompromisso. No quero que nenhum dos meus alunos tenha a infelicidade de ter alguns dos meus colegas como professores.
AMLIA FALEIRO
Salvador, BA

Trabalho como coordenadora pedaggica em uma escola pblica na periferia de Fortaleza e deparo com professores que pem a culpa nos alunos, nas famlias, no sistema e no tm a percepo de olhar para si mesmos.
JANEMEYRE FERREIRA DE SOUZA CARNEIRO
Fortaleza, CE

Sou professora h vinte anos, trabalho na escola onde fiz o ensino fundamental, tenho uma carga horria de sessenta horas semanais e estou terminando mais uma ps-graduao, alm de fazer cursos de extenso. No estou na profisso por falta de opo. Amo o que fao e acredito que a nossa classe esteja desprestigiada justamente por haver professores que no se reciclam e no mantm compromisso com a educao. Acabamos sendo massacrados por eles, que so maioria.
ROSE LUZ
Indaiatuba, SP

Questionar a proposta de aumento substancial do salrio daqueles que ingressam no magistrio  um desservio aos que procuram mudar a situao do ensino no Brasil.
ALEXANDER W.A. KELLNER
Rio de Janeiro, RJ

Na prtica  diferente... Sou professora de portugus para estrangeiros e, no ano passado, assisti a algumas aulas em uma escola pblica. Vi uma grande falta de respeito com os professores e total falta de interesse dos alunos. Perguntei a uma professora por que ela no tirava 1 ponto da nota dos alunos como castigo. Ela disse: No adianta, eles repetem o ano s por faltas. O problema  essa lei absurda que no permite a reprovao de aluno. Os professores podem ter tima formao, toda a motivao do mundo, mas no tm quem os oua em sala de aula.
MAFALDA BOSELLI
So Paulo, SP

Endosso muitas das ideias do artigo de Ioschpe, mas acho que o motivo principal do fracasso educacional no Brasil  a carga horria. Tenho em mente o exemplo de uma irm minha, professora primria, casada com um colega, na provncia de Npoles, na Itlia. Os dois exerceram durante 25 anos somente a funo de mestres da escola primria, lecionando no perodo da manh. Durante a tarde, ocasionalmente, atendiam alunos com problemas de aprendizado. Eles no ficaram ricos, mas tm casa prpria, carro e passam as frias na praia. E a Itlia no tem recursos econmicos maiores que os do Brasil.
SALTORE DONOFRIO
So Jos do Rio Preto, SP

ANIMAIS DE ESTIMAO
Meus dois melhores amigos esto entrando na fase da velhice. Muitas vezes me pego pensando nisso. Toro para que no contraiam doenas graves e que tenham uma velhice tranquila. Jamais admitiria o sofrimento continuado dos meus ces (O melhor modo de dizer adeus, 21 de novembro).
NILSON PESSOA
Ilhus, BA

Sou mdica veterinria e acho cruel manter um animal vivo quando sua enfermidade no tem cura, gera dor e lhe rouba a qualidade de vida.
MICHELE KOSORUS
So Paulo, SP

Nossa cadela diagnosticada com diabetes h dois anos  tratada com duas doses dirias de insulina, alimentao especial e muito carinho. Alm disso, cuidamos de mais dois ces idosos, com limitaes prprias da idade.  o mnimo que podemos fazer para retribuir todo o afeto que recebemos deles.
MAFALDA KREUTZ 
Lajeado, RS

Tenho um golden retriever, chamado Chopp, de 11 anos. Depois de uma custosa semana de internao e exames (com gastos perto de 9000 reais, ele foi condenado pelos veterinrios: morreria em cinco dias... Melhor seria sacrificar... Paralisia geral por problemas na coluna cervical. No abanava o rabo, no se mexia. Paraplegia. Inconformada, levei-o para casa em uma maca domstica improvisada. Fizemos tratamentos alternativos com acupuntura, quiropraxia  e afeto 24 horas. Chopp esta melhor do que nunca: saltitante, alegre, caminhando de cabea erguida pelo bairro de Higienpolis. Moral da histria? Siga o seu corao.
MARCIA REGINA BULL
So Paulo, SP

Por onze anos, Sushi, nosso pequeno malts, s nos deu alegria e amor incondicional. Quando adoeceu, no poupamos esforos, dedicao nem despesas. Mas infelizmente seu mal era degenerativo e irreversvel. Tivemos de tomar a difcil deciso da eutansia. Isso foi muito sofrido para ns, mas ele se foi em paz e sem dor, em meus braos. Aliviar seu sofrimento foi um ato de amor.
ANELISA BAUNGARTNER LAMBERTI
So Paulo, SP

Minha gatinha Filomena foi diagnosticada com fibrossarcoma em dezembro de 2008. Passou por trs cirurgias em seis meses e, na ltima, em cima dos pontos, j havia novos ndulos. Cuidamos dela dando papinha de beb na seringa quando ela j no queria mais se alimentar, dormindo noites no cho quando ela tomava remdios para a dor que a deixavam totalmente dopada. Em novembro de 2009, quando no havia mais nada a ser feito, ela partiu por meio da eutansia de forma tranquila e sem sofrimento, conosco ao seu lado. Aquela foi a deciso mais difcil que tomei na vida.
FANY MARIA GRANATA DELALIBERA
Santo Andr, SP

CRIMINALIDADE EM SO PAULO
 preciso ter objetivo de criminalidade zero (O medo na rua, 21 de novembro). A Presidncia no pode ter a mente fixa em trem-bala enquanto sua populao  assassinada por bandidos. O Congresso Nacional, imune e impune, deveria estar focado em fazer leis mais adequadas. Os governos de estado deveriam estar trabalhando juntos com o governo federal.
MAURO ASPERTI
So Paulo, SP

REINALDO AZEVEDO
Com muita satisfao e orgulho li o artigo Dados x impresses (21 de novembro), de Reinaldo Azevedo, que, com muita propriedade, mostra a realidade de So Paulo pautando-se em nmeros irrefutveis que refletem a atuao efetiva e positiva da poltica de segurana pblica, assim como a competncia do governo do estado de So Paulo.
DANIELA DINAH MULLER
Americana, SP

Minha VEJA chegou congelada. Estranhei. Era o artigo de Reinaldo Azevedo. Abordagem mais fria e distante sobre a morte s a de mdico-legista.
JOS ANGELO NEVES
So Paulo, SP

PRESDIOS BRASILEIROS
Causa-nos estranheza a posio do ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, sobre a situao calamitosa dos nossos presdios (Veja Essa, 21 de novembro). Essa  uma realidade secular para milhares de brasileiros comuns sem que nenhuma providncia do atual governo tenha sido tomada para modific-la. O ministro s viu isso agora com a iminente priso dos polticos corruptos?
ELILDES BELFORT
So Lus, MA

 sintomtica e corporativista a preocupao demonstrada pelo ministro da Justia, Jos Eduardo Cardozo, com a degradao do sistema penitencirio brasileiro, postura s assumida ao ver petistas grados a caminho das prises.
DULCE MARTA DE B. FREIRE BARROS
Olinda, PE

APELAO INTERNACIONAL
No Brasil do mensalo tudo  possvel. Os honorrios dos advogados de defesa confirmam o tamanho do estrago. Jos Dirceu paga fortunas a seu advogado, Jos Luis de Oliveira Lima, para recorrer da deciso do Supremo Tribunal Federal no prprio STF, sabendo que muito pouco poder ser alterado. Porm, o objetivo  outro (Apelao internacional, Holofote, 21 de novembro). Eles vo fazer de tudo para desacreditar e desqualificar o STF e qualquer instituio que se oponha a seus interesses. Vamos nos preparar, porque a verdadeira guerra nem comeou. O mal que essa quadrilha vem causando aos cidados brasileiros parece no ter fim. O socialismo fabiano est sendo instalado como um ensaio para a cegueira...
DENISE SOUZA COSTA
Porro Alegre, RS

PEL
Sou mdico e no considero a artroplastia de quadril, a que Pel foi submetido recentemente, uma cirurgia simples. Nos melhores hospitais do mundo, a mortalidade para esse procedimento gira em torno de 0,5%. Entre as complicaes no letais esto o sangramento e o deslocamento da prtese. A operao  feita principalmente em idosos, e, portanto, problemas de corao, diabetes, doenas pulmonares e outras condies clnicas contribuem para aumentar o risco,
JORDANO PEREIRA ARAJO
Braslia, DF

VANESSA COSTA
Na entrevista Queremos a pole dance na Olimpada (Conversa, 14 de novembro), Vanessa Costa diz que, para praticar a pole dance,  necessrio ser magra. Estou acima do peso e fao isso h dois meses e meio. A esttica pode ser o objetivo de muitas pessoas, mas no o de todas. Meus quilos a mais no me impedem de realizar nenhum movimento. De generalizao j estamos cheios. Por desconhecimento desse esporte, muitas vezes suas praticantes so erradamente confundidas com danarinas de boates.
PAULA MENDES SAMPAIO
Por e-mail

FINAL DA SAGA CREPSCULO
Congratulo a jornalista Isabela Boscov pela crtica de A Saga Crepsculo: Amanhecer  Parte 2 (Amar ..., 21 de novembro). Apesar de ser f da saga, concordo com o argumento de que ningum envolvido no filme tenha dado o sangue (desculpe o trocadilho) para fazer dele algo melhor. Alm das falhas na atuao, nos efeitos especiais e todos os demais pontos mencionados por VEJA, acrescento a insipidez da msica de Carter Burwell, que nem de longe parecia ser digna de um final pico como esperado. Ele no precisava tentar ser um Alexandre Desplat ou Howard Shore, mas poderia ter evitado usar as msicas instrumentais do primeiro filme. Pelo menos a trilha sonora, aos cuidados de outros cantores e bandas, foi bem melhor. O filme ser sucesso de qualquer jeito, em grande parte pela surpresa arquitetada por Bill Condon, mas a srie poderia ter sido fechada com chave de ouro, se quisessem.
MAGDA MENDES MARQUES
Braslia, DF

Concordo que amar  s enxergar a perfeio. Mas  tambm a vontade de ver personificada a fantasia que muitas vezes nos ajudou a suportar a realidade. Enfim, todos tm o direito de expressar suas opinies. S fico triste de ver revelado o grande trunfo do filme. Quem no acompanhou a saga at agora poder deixar de ver a sua ltima parte.
MRIAN PROVAZI ORIOLI
Porto Real, RJ

HOMOSSEXUAIS
Preferncia sexual  um assunto de competncia estritamente pessoal (Parada gay, cabra e espinafre, 14 de novembro). Cabe a cada indivduo, htero ou homossexual, fazer valer o seu direito constitucional  individualidade na forma e no momento escolhidos, mas sem ferir nem causar constrangimento aos padres tidos como regra pela sociedade. Se no existem leis que punem homossexuais por no gostar de conviver com heterossexuais, por que ento chamar de homofobia quando um htero exerce seu direito de no gostar de conviver com um homossexual, de namor-lo ou de ser amigo dele?
MAURO R. SILVA
So Paulo, SP

Li algumas opinies contrrias na seo Leitor de 21 de novembro, mas o artigo Parada gay, cabra e espinafre enfim exps de forma clara tudo o que eu mesmo penso sobre esse assunto. Viva a liberdade de expresso e a de no concordar.
DARIO MOREIRA
Juiz de Fora, MG

ALCOA
Em relao  nota Indstria parada (Radar, 14 de novembro), informamos que no  verdadeira a afirmao de que a Alcoa parou de produzir alumnio na fbrica de Poos de Caldas (MG). A autogerao eltrica  responsvel por 70% do consumo da empresa e os outros 30% so adquiridos por meio de contrato de longo prazo com uma concessionria. Somente a energia excedente  comercializada.
FRANKLIN L. FEDER
Presidente da Alcoa Amrica Latina e Caribe
So Paulo, SP

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
PARALAMAS
Trinta  o nome do projeto que o Paralamas do Sucesso organiza para comemorar seus trinta anos de carreira. Sero dez shows  em So Paulo, Rio, Braslia, Belo Horizonte e outras seis capitais. www.veja.com/radar

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
IR
Alm dos foguetes do Hamas e dos bombardeios israelenses, est o Ir, um ator-chave na crise de Gaza. A escalada de violncia no teria ocorrido sem o envolvimento de Teer. www.veja.com/denovayork 

QUANTO DRAMA!
PATRICIA VILLALBA
JULGAMENTOS
Ningum bate os americanos quando o assunto  cena de julgamento. Mas a teledramaturgia brasileira tem cenas dignas de nota. Confira as cinco melhores no blog. www.veja.com/quantodrama

SOBRE PALAVRAS 
SRGIO RODRIGUES
RACISMO
A palavra racismo  uma filha do sculo XX, embora aquilo que nomeia tenha razes bem mais fundas na histria. Em ingls, a palavra desembarcou em 1936, empurrada pela necessidade de nomear as polticas que o nazismo aplicava ento na Alemanha. www.veja.com/sobrepalavras

SOBRE IMAGENS
PEDRO DAVID
O mineiro Pedro David  autor do livro Paisagem Submersa, um dos mais impactantes da fotografia nacional recente. Na obra, ele documentou os locais que seriam inundados para formar o lago da usina hidreltrica de Irap, na regio do Rio Jequitinhonha, em Minas Gerais. Esse trabalho deu novo gs  fotografia brasileira ao criar um fotojornalismo documental-ficcional no qual o imaginrio e o potico faziam parte da histria. O blog apresenta o mais recente trabalho de Pedro. O Jardim, Ganhador do Prmio Nacional de Fotografia Pierre Verger em 2011, o ensaio mostra o entorno da casa onde Pedro vive com a esposa e o filho, em Minas. www.veja.com/sobreimagens

CHEGADA
QUANTOS TREINOS SEMANAIS?
H uma pergunta frequente entre pessoas que praticam atividade fsica: quantas vezes por semana devemos treinar? Uma pesquisa publicada pelo The Journal of Strength and Conditioning Research comparou dois protocolos de treinamento de musculao. No primeiro, as pessoas exercitaram trs vezes por semana todos os grupos musculares, com pelo menos um dia de descanso entre uma sesso e outra. No segundo, a frequncia foi de quatro vezes por semana, dividindo os grupos musculares e em dias seguidos. Vinte e uma mulheres de 30 a 50 anos e no treinadas participaram da pesquisa durante oito semanas. Nesse perodo, ambos os protocolos proporcionaram ganhos na massa muscular e reduo da gordura corporal. Em outras palavras, o estudo indica que vale mais a pena ficar em casa e descansar do que enfrentar uma quarta sesso. Pelo menos nas oito primeiras semanas de treino. www.veja.com/chegada

NOVA TEMPORADA
DE MDICO A PIRATA
Hugh Laurie, o eterno Dr. House, est em negociaes para interpretar Edward Teach, mais conhecido como o pirata Barba Negra, na nova srie da NBC Crossbones, uma adaptao da obra de Colin Woodard The Republic of Pirares. A histria do livro acompanha as aventuras de Barba Negra a partir de 1715, perodo em que ele luta para formar e manter uma comunidade conhecida como Nova Providncia, nas Bahamas, local habitado por criminosos, revolucionrios e escravos fugitivos. www.veja.com/temporada

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  H HORA CERTA PARA SER MULHER
Ao fazer com que a menina viva antecipadamente o momento de transio, a puberdade precoce pode desencadear problemas psicossociais.

     A puberdade precoce  cinco vezes mais frequente entre as meninas. Os sinais costumam aparecer por volta dos 6 ou 7 anos de idade: as mamas comeam a despontar, surgem os pelos no pbis e nas axilas e h um estiro fora de hora, ou seja, um crescimento acelerado. O processo culmina com o evento que caracteriza o problema: a ocorrncia da primeira menstruao (menarca) antes dos 10 anos. Esse adiantamento no relgio da puberdade, que, segundo as estimativas, atinge cerca de 10% das meninas, pode trazer consequncias indesejveis.
     Um deles  que a precocidade pode impedir que a garota atinja a altura que estava geneticamente programada para ter. O estiro precoce e a maturidade ssea antecipada deixam pouca margem para o crescimento aps a primeira menstruao  em mdia, apenas cerca de 5 centmetros a mais. Alm disso, vivendo antecipadamente o momento de transio em que deixa de ser criana para se tornar mulher, a puberdade precoce pode desencadear problemas psicossociais, pois h um amadurecimento fsico e a criana no est emocionalmente preparada para isso.
     Na grande maioria das vezes, no h uma causa conhecida. Mas estudos indicam que a incidncia da puberdade precoce  um pouco maior entre as meninas com sobrepeso. O tratamento  feito com drogas que promovem o bloqueio hormonal com a inteno de retardar a primeira menstruao.
     Pediatras, ginecologistas e endocrinologistas tm recebido em seus consultrios um nmero crescente de pacientes com sinais de puberdade precoce. Mas s um diagnstico criterioso  com base em avaliao clnica, exames de dosagem hormonal e raios X de punho para identificar a maturidade ssea  indicar a necessidade de administrar os bloqueadores hormonais. To importante quanto evitar que a primeira menstruao acontea antes do tempo  no diagnosticar demais e submeter as meninas a tratamentos desnecessrios.
     O aparecimento de uma caracterstica isolada, como o desenvolvimento antecipado das mamas, no configura necessariamente um quadro de puberdade precoce. Pais e responsveis devem estar atentos a esses sinais e levar a criana ao mdico se observarem algo fora do padro. Mas  fundamental ter em mente que a idade mdia da primeira menstruao  aos 12 anos e meio, podendo ocorrer um pouco mais cedo ou um pouco mais tarde. O que no  desejvel  que acontea antes dos 10 anos. E isso d para monitorar e evitar, desde que seja feito o tratamento correto. Nos demais casos,  deixar o organismo seguir o seu prprio ritmo.

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Responsvel Tcnico:
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